Como Lidar com a Ansiedade? Psicóloga Responde

A ansiedade é um dos assuntos mais comentados na atualidade.

É comum sentirmos ansiedade ao lidarmos com responsabilidades, decisões e problemas do dia a dia, mas quando esse sentimento está acompanhado de medo e preocupação em excesso, pode ser o caso de um distúrbio psicológico que precisa de tratamento e acompanhamento profissional.

Quando o assunto é distúrbios psicológicos, o Brasil aparece em primeiro lugar com a maior taxa de transtornos de ansiedade e o quinto em casos de depressão, segundo os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Ainda de acordo com a OMS, os fatores que influenciam essa situação estão relacionados às questões socioeconômicas do país, como desemprego, dívidas e até o estilo de vida corrido das grandes cidades.

A ansiedade é marcada por sintomas como dificuldade de concentração, preocupação excessiva e complicações relacionadas ao sono que podem, inclusive, levar a alterações de humor como solidão, isolamento social e apatia.

Os sinais da doença podem aparecer em qualquer fase da vida.

De acordo com um estudo realizado por Fernando R. Asbahr, professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, aproximadamente 10% de todas as crianças e adolescentes sofrerão algum tipo de transtorno de ansiedade nessa fase.

Pensando na importância desse assunto, o Saúde da Mulher convidou a psicóloga Léa Raquel para responder perguntas enviadas pelos nossos leitores.

Acompanhe! 

1. É Possível Controlar a Ansiedade sem Remédios? Qual o Melhor Tratamento?

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Psicóloga Léa Raquel: Sim, é possível lidar com a ansiedade sem o uso de remédios (mas em alguns casos o uso é imprescindível).

O acompanhamento psicológico junto a um estilo de vida que inclua a prática de exercícios físicos, técnicas de relaxamento e respiração, assim como, priorizar atividades que proporcionem prazer, diminuir as auto cobranças e um bom gerenciamento do tempo são questões fundamentais para o tratamento.

2. Qual a Melhor Forma de Lidar com Crises de Ansiedade, Principalmente Quando o Coração Fica Acelerado?

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Psicóloga Léa Raquel: A ansiedade tem ansiedade, então quanto mais você pensar que está ansioso mais os sintomas ficarão intensos.

Pare um momento, respire devagar e use palavras de ativação (ex. “calma”), compreenda que é um momento: você não vai morrer, você não está enfartando, você não perdeu o controle.

Se isso acontecer em locais de trabalho, por exemplo, deixe alguém de sua confiança sob aviso para que ela possa te ajudar nesses momentos.

3. O que Fazer para Tratar a Ansiedade em Crianças?

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Psicóloga Léa Raquel: O acompanhamento profissional é a forma mais eficaz, pois vai fazer a criança entender suas emoções e ajudará os pais a lidar com esse momento.

É importante lembrar que muito do que consideramos como uma besteira, a criança encara como um sofrimento.

Devemos estar atentos para sinais como alterações de humor, dificuldade de concentração, agressividade, isolamento, apego excessivo aos pais, choro intenso, isolamento e outras questões.

4. Como Saber que a Ansiedade Está Evoluindo para uma Depressão? Depressão é Um Problema Genético?

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Psicóloga Léa Raquel: “As coisas não darão certo”, “não vou conseguir”, “não sou capaz”, “não dará tempo” esses são alguns pensamentos comuns.

A ansiedade submete a pessoa a um constante estado de insatisfação e angústia.

As pessoas costumam fazer uma relação com outros momentos de sua vida e até mesmo acreditar que a vida sempre foi dessa forma.

A longo prazo, a pessoa ansiosa passa a não sentir prazer nas suas atividades.

É constante o sentimento tristeza, choro e perda de esperança, caracterizando uma comorbidade (isto é, é a existência de duas ou mais doenças na mesma pessoa), nesse caso, Ansiedade-Depressão.

A depressão tem causa multifatorial: genética, psicológica e ambiental.

O fator genético deixa as pessoas mais vulneráveis à doença.

5. Qual a Melhor Forma de Lidar Naturalmente com a Insônia Causada pela Ansiedade?

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Psicóloga Léa Raquel: Lidar com a insônia derivada da ansiedade é estar a mil por hora e de repente mandar o corpo parar.

Como ele entende que pode parar e relaxar se a sua mente está agitada e não consegue sequer enviar o comando adequado?

É preciso iniciar identificando o que está te preocupando e modificar alguns hábitos como: diminuir a ingestão de cafeína a partir do final da tarde, ingerir alimentos leves no jantar, distanciar-se das telas alguns momentos antes e substituir por atividades como meditação, técnicas de respiração, leitura ou escutar músicas.

Não se cobre por não estar conseguindo dormir pois isto só aumenta a ansiedade.

6. Qual a Melhor Forma de Tratar a Ansiedade Quando Ela Afeta a Saúde Física?

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Psicóloga Léa Raquel: Os sintomas físicos presentes no transtorno de ansiedade estão relacionados com um padrão de defesa do corpo humano.

Alguns deles são:

  • Dor ou aperto no peito e aumento da frequência cardíaca;
  • Respiração ofegante ou falta de ar;
  • Suor excessivo;
  • Tremores no corpo, principalmente nas mãos;
  • Sensação constante de fraqueza ou cansaço;
  • Boca seca;
  • Mãos e pés frios;
  • Náuseas;
  • Tensão muscular;
  • Dor de barriga ou diarreia.

Quando nosso corpo está submetido a um funcionamento desregulado teremos, por consequência, outras complicações.

Um exemplo disto é o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) relacionada muitas vezes com doenças cardiovasculares como pressão alta e problemas nos ruins.

Percebendo os sintomas do transtorno de ansiedade deve-se, rapidamente, buscar a ajuda de um profissional.

7. Pesquisas Científicas Revelam que as Redes Sociais têm Relação Direta com o Crescimento dos Casos de Ansiedade. Qual a sua Opinião Sobre Isso?

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Psicóloga Léa Raquel: Costumo dizer que o nosso estilo de vida atual é porta de entrada para um “viver ansioso”.

Busca por aprovação, “joguinhos” de desinteresse e relações frágeis.

São muitos aprendizados equivocados e que nos geram angústia.

Agora, não somente o TER é mais valorizado que SER, como o PARECER ganha muito mais notoriedade.

Com isso, minimizamos cada vez mais nossas vidas, acreditamos que temos o controle sobre a vida do outro, aprendemos a fazer uma imensidão de tarefas ao mesmo tempo (quando na verdade não se faz nada) e queremos atenção instantânea.

A vida real vem e mostra que não é nada disso e quando percebemos, já estamos emocionalmente doentes.

O nosso desafio é não deixar que tudo isso nos controle e isso é possível!

 

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